de trombas
Hoje a tromba de elefante deu o ar de sua paquidérmica graça, em toda a plenitude do destrambelhamento que lhe é peculiar. A borboleta, quando viu, recolheu a trombinha delicada e fugiu voando, assustada, temendo perder a língua. Foi-se esconder longe das patas portentosas de seu colega de probóscida, que pisoteava o chão seco criando terremotos e levantando furacões de terra vermelha, num muxoxo típico de gigante fazendo birra.
Elefantes se avizinham da desfaçatez ao ensaiar irritação. Botam um bico como nenhum outro. É por isso que, nessas horas, as borboletas desaparecem – se não miméticas em meio às flores amigas, simplesmente viradas de lado, para que se possa ver apenas seu fio de perfil – nada mais discreto que lepidópteros de perfil.
O elefante morre de inveja. Queria ser reservado e alegre como a borboleta. Mas não conseguiu ainda.

3 comentários:
Tá de mau humor, é? Fica não!
Tá de mau humor, é? Fica não!
eu sei, eu sei! a borboleta tem que voar pra - tuft! enfeitar a imensa orelha do elefante! vai ficar tão gracioso, tão delicado, que duvido! a tromba dele não sorrir!
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