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11 de agosto de 2008

sobre flexibilidade

Aproveitando as manifestações zen que começaram no post anterior.

Hoje, estava eu na aula de ioga, numa posição que chamaria de, no mínimo, não recomendável para pessoas que têm problemas de coluna. Fazia "o arado": deitada no chão, as pernas esticadas passam para trás por cima da cabeça, a ponta do nariz praticamente grudada no umbigo, a nuca inteira cravada no piso.

E, apesar de minha pouca flexibilidade, consigo fazer isso magistralmente. Sou até capaz de relaxar nessa postura incômoda e antinatural. Não sei bem o porquê disso. Mas o fato é que foi assim, nessa pose invertida, que tive uma breve iluminação.

Comecei a sentir um orgulho de mim mesma, uma satisfação pessoal de fazer isso tão bem quanto o professor - ou melhor que ele - que me levou a imaginar o quanto é bom ser flexível. Pensei também como era difícil para mim me virar no movimento contrário: quando a ordem era esticar para a frente, eu parava feito uma árvore no meio do caminho, dura, estática, travada, impossibilitada de encostar os dedos das mãos nos dos pés.

Por que sou tão vergável para algumas coisas e tão inflexível para outras?

E assim, nesse curtíssimo e estranho momento filosófico de minha existência, concluí que posso ser mais feliz quanto mais flexível puder ser. Em todos os aspectos da vida. É aquela velha história do bambu que se verga ao vento sem quebrar.

Vamos ver se isso dá certo.

16 de janeiro de 2007

SITCOM

Título: Probóscida

Sinopse: Mulher de 36 anos, que vive só com um gato fêmea e trabalha num segundo subsolo sem janelas, compartilha suas lamúrias com o mundo escrevendo um blog.

Personagens fixos: a Marcya, o Gato, o Espelho, a Outra, o Monstro da Lagoa Negra, a Mulher Invisível, o Laptop, o Telefone, a Tevê, O Sapo.

Personagens extras: a Maíra, a Fabiana, a Ana Laura, o Tião e o Anônimo.

Episódio 1: Um Dia Surpreendente

Escaleta:
01- Marcya acorda, às seis da manhã, com uma lambida de lixa na cara.
02- Marcya se senta, de chinelos e pijamas, diante da Tevê desligada.
03- Marcya coloca o Laptop no colo e o liga.
04- O Gato digita algumas palavras em sua língua.
05- Enquanto o Laptop tenta ressuscitar, Marcya, apesar de atéia, reza para chover e não precisar ir caminhar no parque.
06- Marcya checa o Telefone mudo a cada cinco minutos.
07- Marcya ensaia a dança da chuva.
08- O Monstro da Lagoa Negra manda um abraço apertado pelo Orkut.
09- Ironicamente, a Mulher Invisível aparece.
10- Marcya consulta a previsão do tempo para hoje.
11- A Outra prepara salmão com alcaparras para um.
12- O afghan hound da Outra troca uma idéia veemente com o Gato.
13- Não vai chover hoje, diz o meteorologista na internet.
14- Marcya coloca roupa de fazer exercícios e vai conversar com seu personal stylist, o Espelho.
15- O Espelho dá uma gargalhada histérica, Marcya engole o Sapo e vai para o parque caminhar.
16- Chove.

FIM

Comentário de Maíra: Choveu? Pois a vida é feita de intempéries mesmo. Pegue um guarda-chuva, dance muuuuito nessa água toda e transforme essa enchente num musical badalado! Beijossssss!

Comentário de Fabiana: Concordo. Esse seu Espelho é um histérico! E diz pro Monstro da Lagoa Negra que eu também mando um abraço... Adoro verde.

Comentário de Ana Laura: Marcynha, você não precisa mesmo de exercícios. Precisa de terapia!

Comentário de Tião: ó, marcya, desengole esse Sapo de uma vez que um engasgo desses a gente não cura só com tapinha nas costas não, viu?

Comentário de Anônimo: Teria o telefone dessa Outra aí, hein?

10 de janeiro de 2007

a caminhada

Eu acordo às sete da matina com uma lambida de lixa no cotovelo. Pisco, me reviro, olho o relógio de um celular, depois do outro (eles são dois), confirmo pelos solavancos do sol vindos das brechas da persiana, o despertador toca na seqüência, o corpo dói, o sono pesa, o edredom verde faz um apelo emocionado, nem acredito... Soneca! Não, soneca não. Se tiver soneca, já era. Adeus. Só amanhã. Levanta agora!

Levanto. Me arrasto até o banheiro. Que cara horrível. Tudo bem, é com essa mesmo que eu vou. Lavo o rosto com sabonete em gel para controlar oleosidade. Não adianta muito. Enxugo, quase piso no gato, que, por isso, resmunga. Resmungando também, rastejo até a cozinha, quase de quatro também. Pego uma caneca preta enorme, coloco duas colheres de sopa daquele troço caríssimo que comprei, cheio de vitaminas, proteínas, sais minerais e complementos alimentares importantes como o “exclusivo Prebio”. Completo o caldo com leite desnatado. Chego a comer uma banana! A culpa é uma boa amiga da vida saudável instantânea.

Armário. Gato espia lá de dentro. Fooora! Bermudinhas ciclista, tops pretos e brancos, pares de meias curtinhas, blusas coloridas de alcinha, muitos, muitos pêlos. Tá, um de cada. Sem os pêlos. Misturo tudo no liquidificador e mando deep inside. Calço os tênis e arremato o rabo-de-cavalo. Acho que ainda falta alguma coisa. Boné, óculos escuros, I-pod. Sei o que é. Meu espelho ainda não me viu assim.

Ai. O espelho me diz que estou ridícula vestida desse jeito. Aonde pensa que vai, criatura? Já é carnaval? A quem é que você quer enganar? Amanhã tudo termina. Amanhã você não continua. Isso não vai ter futuro. Nem me venha choramingar quando tiver desistido. E não diga que eu não avisei.

Cala a boca, espelho cretino. Vou começar a caminhada sim. Lá vou eu. Mais uma vez.

22 de dezembro de 2006

exigências para 2007:

Exijo cada vez mais a percepção de minha ventura.
Exijo menos desilusão, equívocos, tristeza.
Exijo controle de qualidade na vida.
Exijo sonhos cheios de verdades concretas.
Exijo tanta saúde quanto sempre.
Exijo espaço.
Exijo me olhar no espelho com boa vontade e bom-humor.
Exijo autocrítica suficiente apenas para saber que não fico bem de amarelo.
Exijo meus direitos.
Exijo um novo amor inteirinho pra mim.
Exijo desejos, champanhes, flores, sininhos, beijos e fogos de artifício.
Exijo gatos.
Exijo mais amigos carismáticos e piadistas como os que já tenho.
Exijo risadas incontroláveis todos os dias.
Exijo melhores assuntos a tratar no dia-a-dia.
Exijo cores.
Exijo mudar de opinião.
Exijo a vontade e a necessidade de exigir.
E exijo achar que posso e que isso é bom e certo.