Peter Pan fala pro Dorian Gray:
- Passa o açúcar?
- Um torrão ou dois?
- Deixa de frescura e passa logo esse açucareiro! Não tem torrão nenhum aí!
- Hummm... Grosso!
- Por que você não vai dar uma espiada no seu retrato e larga do meu pé?
- Por isso que a tua sombra já largou do teu pé há muito tempo!
Silêncio constrangedor.
- O último que disse isso perdeu a mão no estômago de um crocodilo.
Todos se olham. Só se ouve o tique-taque do relógio.
- Vamos mudar de assunto – pediu Dom Sebastião. Já estou cansado de guerra.
- A sua pele está maravilhosa, Highlander – elogiou Richard Clayderman.
- É fácil manter. Ninguém precisa perder a cabeça por isso – vira-se para o Conde Drácula – não resisto a essa piadinha.
- Eu já não posso dizer o mesmo... Se pelo menos fosse uma xícara de sangue, em vez desse chá!
- Ofereço o meu, se o gentil cavalheiro assim desejar – disse Dorian Gray atirando um olhar lânguido.
- Que tipo é?
- “A” positivo.
- Lamento, só consumo “O” negativo. A gente vai ficando mais exigente com o tempo... Mas agradeço a oferta.
- Não há de quê.
- Alguém aqui pode me dizer que espécie de biscoito de polvilho duro é esse? Quem fez essa mistura não entendia nada de alquimia – blasfemou Saint Germain. – Nem a pedra filosofal teria quebrado meu dente assim!
Drácula deu um gritinho:
- Ai!
- Que foi?
- Ainda bem que não mordi com o canino.
Um e outro sorveram o chá quente e largaram disfarçadamente seus biscoitos no prato. Não adiantou, pois, ao caírem, rodopiaram fazendo um barulho metálico.
- Se eu soubesse que ia passar a eternidade com vocês...
- O que é que tem?
- Teria morrido de verdade – suspirou Elvis.
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3 de março de 2009
27 de junho de 2008
um outro rato
Um rato me persegue por todos os cantos
Enorme, cinzento, ameaçador.
Um rato tal qual uma sombra
Que se reveste de fraternal cumplicidade
Todas as noites quando, ao deitar,
As luzes que me atravessam
Revelam esse monstro em mim.
De repugnância velada
De dores gordurosas
De podridão invisível
Que ameaçam, insistentemente, a minha vida.
Um rato traiçoeiro
Que, aonde quer que eu vá,
Espreita um descuido de existência
Para devorar, regozijado, o amanhã.
Rato que me conforta e alimenta
Espectro vivo ao meu lado
Leve a verdade daqui.
Enorme, cinzento, ameaçador.
Um rato tal qual uma sombra
Que se reveste de fraternal cumplicidade
Todas as noites quando, ao deitar,
As luzes que me atravessam
Revelam esse monstro em mim.
De repugnância velada
De dores gordurosas
De podridão invisível
Que ameaçam, insistentemente, a minha vida.
Um rato traiçoeiro
Que, aonde quer que eu vá,
Espreita um descuido de existência
Para devorar, regozijado, o amanhã.
Rato que me conforta e alimenta
Espectro vivo ao meu lado
Leve a verdade daqui.
27 de janeiro de 2008
esbarrão
Oi! Tudo bem?
Oi.
Nunca pensei que fosse encontrar alguém do meu tamanho nessa festa!
E não encontrou.
Eu encontrei você!
Ah...
Prazer, eu sou o Flávio!
Prazer.
Qual o seu nome?
Marcya.
Então me dá um abraço, Marcya!
(Dou dois beijinhos rápidos com a mão na frente).
Não precisa ficar com medo de mim, eu sou um cara legal!
Eu não tenho medo de nada.
Mas você nem me deu um abraço!
Olha, eu não te conheço, nunca te vi, então acho super-natural não te dar um abraço...
Eu não sou daquele tipo não.
Que tipo?
(Pausa, música, bebida, retoma)
Pô, você é pior que a minha irmã.
A sua irmã...
É, ela é cheia de coisa, não chega perto, as amigas dela são igual.
O que me faz pensar então que o problema seja seu.
Hehehehe! Você é engraçada!
Obrigada.
(Pausa, música, bebida, retoma)
Você é daqui?
Daqui de onde... Do barco?
Não, daqui, da cidade...
Não, sou do Rio.
Ah, eu sou de Uberaba.
E está fazendo o que aqui?
Vim com meus pais.
Seus pais... E isso faz muito tempo?
Faz, muito tempo.
Quantos anos você tem?
Chuta.
Ahnnn... 25?
Não, mais!
26.
Não, quase.
27.
Acertou! Eu envelheci muito cedo. Pareço mais velho do que sou.
Bem, considerando que eu te dei 25, não, você não parece mais velho do que é.
Ahn... E você?
Eu tenho dez anos mais que você.
37??!!
No somatório, é o que parece.
Você não parece ter 37...
Mas tenho.
(Pausa, música, bebida, retoma)
E eu ainda moro com os meus pais.
Você vai passar dessa fase. Eu saí de casa com 25.
Ahn...
Com licença, vou cumprimentar um amigo ali.
Você já vai?
Vou.
Prazer, viu? Você é linda!
Obrigada.
A gente se esbarra por aí.
É, a gente se esbarra.
Oi.
Nunca pensei que fosse encontrar alguém do meu tamanho nessa festa!
E não encontrou.
Eu encontrei você!
Ah...
Prazer, eu sou o Flávio!
Prazer.
Qual o seu nome?
Marcya.
Então me dá um abraço, Marcya!
(Dou dois beijinhos rápidos com a mão na frente).
Não precisa ficar com medo de mim, eu sou um cara legal!
Eu não tenho medo de nada.
Mas você nem me deu um abraço!
Olha, eu não te conheço, nunca te vi, então acho super-natural não te dar um abraço...
Eu não sou daquele tipo não.
Que tipo?
(Pausa, música, bebida, retoma)
Pô, você é pior que a minha irmã.
A sua irmã...
É, ela é cheia de coisa, não chega perto, as amigas dela são igual.
O que me faz pensar então que o problema seja seu.
Hehehehe! Você é engraçada!
Obrigada.
(Pausa, música, bebida, retoma)
Você é daqui?
Daqui de onde... Do barco?
Não, daqui, da cidade...
Não, sou do Rio.
Ah, eu sou de Uberaba.
E está fazendo o que aqui?
Vim com meus pais.
Seus pais... E isso faz muito tempo?
Faz, muito tempo.
Quantos anos você tem?
Chuta.
Ahnnn... 25?
Não, mais!
26.
Não, quase.
27.
Acertou! Eu envelheci muito cedo. Pareço mais velho do que sou.
Bem, considerando que eu te dei 25, não, você não parece mais velho do que é.
Ahn... E você?
Eu tenho dez anos mais que você.
37??!!
No somatório, é o que parece.
Você não parece ter 37...
Mas tenho.
(Pausa, música, bebida, retoma)
E eu ainda moro com os meus pais.
Você vai passar dessa fase. Eu saí de casa com 25.
Ahn...
Com licença, vou cumprimentar um amigo ali.
Você já vai?
Vou.
Prazer, viu? Você é linda!
Obrigada.
A gente se esbarra por aí.
É, a gente se esbarra.
4 de janeiro de 2008
13 de dezembro de 2007
carta para o papai noel
Caro Papai Noel,
Eu nunca acreditei em você. Desculpe falar assim tão secamente, mas é a verdade. Eu era uma criancinha de quatro anos esclarecida, materialista e pragmática. Isso já prenunciava minhas convicções ateístas da idade adulta. Não se magoe. É apenas uma constatação. E preciso confessar ainda que só resolvi escrever esta carta num momento soporífero, de insônia terminal e pestanas entreabertas. Gosto do Natal só porque é feriado – os aeroportos ficam lotados. Sim, claro, porque come-se bem - uma comilança desenfreada. E tem a parte dos presentes - um desespero nas lojas.
Não se preocupe; eu não vou fazer nenhum pedido. A minha loucura não chega a tanto. E, afinal, já disse, nunca acreditei mesmo em você - mas que mulher deveria acreditar nos homens, não é? Além de tudo, meus desejos são pura retórica, enfeitados com bolas coloridas de pessimismo e estrelinha de descrença no topo. Vou vagando pelo deserto da existência, simplesmente, sem enxergar luzes que me guiem os sentidos até uma salvação.
Pedidos são para os que têm fé, essa misteriosa. Não tenho a menor pretensão de atendimento metafísico a curto prazo, muito menos até o clímax das comemorações natalinas – mesmo porque, se nesse tempo algum pedido meu se realizasse, já poderíamos considerá-lo um verdadeiro milagre. Eu disse milagre? Ora, senhor Noel...
Perdoe-me novamente, mas ainda não sei ao certo como devo tratá-lo, talvez por falta de experiências anteriores nesta arte surrealista de dirigir-me a entidades impalpáveis – se bem que até agora o Brad Pitt também tem sido bastante impalpável para mim. Nunca pensei em que categoria o senhor – preciso chamá-lo assim? – talvez pudesse se enquadrar. Na dos santos católicos? Na das peças publicitárias para vender refrigerante? Na das figuras mitológicas? Na dos velhinhos excêntricos? Na dos seres sobrenaturais das datas comemorativas (no que é acompanhado de perto pelo Coelhinho da Páscoa)?
Enfim... Seja qual for seu pronome de tratamento, de antemão me sinto ridícula, a investir nesse diálogo solitário entre desacreditados. Não são só as cartas de amor que produzem esse efeito. Mas tenho a desculpa onírica do sono que me ronda e por isso, a esta hora da noite, me dou o direito de escrever o que quiser.
Não vou pedir mais desculpas. Sei bem o quanto erro todos os dias, da mesma forma que tenho consciência de que as crianças supostamente desobedientes são punidas com crueldade: ganham de presente de Natal o desprezo do bom velhinho, não é isso? Estou cansada de ameaças.
Liberte-se também, Papai Noel. Esquece essa obrigação. Desmancha essa ruga feia da vingança. Se livra desse fardo a carregar nas costas por toda a eternidade. Você vai se sentir muito melhor. Pode acreditar em mim.
Com afeto,
Marcya
Eu nunca acreditei em você. Desculpe falar assim tão secamente, mas é a verdade. Eu era uma criancinha de quatro anos esclarecida, materialista e pragmática. Isso já prenunciava minhas convicções ateístas da idade adulta. Não se magoe. É apenas uma constatação. E preciso confessar ainda que só resolvi escrever esta carta num momento soporífero, de insônia terminal e pestanas entreabertas. Gosto do Natal só porque é feriado – os aeroportos ficam lotados. Sim, claro, porque come-se bem - uma comilança desenfreada. E tem a parte dos presentes - um desespero nas lojas.
Não se preocupe; eu não vou fazer nenhum pedido. A minha loucura não chega a tanto. E, afinal, já disse, nunca acreditei mesmo em você - mas que mulher deveria acreditar nos homens, não é? Além de tudo, meus desejos são pura retórica, enfeitados com bolas coloridas de pessimismo e estrelinha de descrença no topo. Vou vagando pelo deserto da existência, simplesmente, sem enxergar luzes que me guiem os sentidos até uma salvação.
Pedidos são para os que têm fé, essa misteriosa. Não tenho a menor pretensão de atendimento metafísico a curto prazo, muito menos até o clímax das comemorações natalinas – mesmo porque, se nesse tempo algum pedido meu se realizasse, já poderíamos considerá-lo um verdadeiro milagre. Eu disse milagre? Ora, senhor Noel...
Perdoe-me novamente, mas ainda não sei ao certo como devo tratá-lo, talvez por falta de experiências anteriores nesta arte surrealista de dirigir-me a entidades impalpáveis – se bem que até agora o Brad Pitt também tem sido bastante impalpável para mim. Nunca pensei em que categoria o senhor – preciso chamá-lo assim? – talvez pudesse se enquadrar. Na dos santos católicos? Na das peças publicitárias para vender refrigerante? Na das figuras mitológicas? Na dos velhinhos excêntricos? Na dos seres sobrenaturais das datas comemorativas (no que é acompanhado de perto pelo Coelhinho da Páscoa)?
Enfim... Seja qual for seu pronome de tratamento, de antemão me sinto ridícula, a investir nesse diálogo solitário entre desacreditados. Não são só as cartas de amor que produzem esse efeito. Mas tenho a desculpa onírica do sono que me ronda e por isso, a esta hora da noite, me dou o direito de escrever o que quiser.
Não vou pedir mais desculpas. Sei bem o quanto erro todos os dias, da mesma forma que tenho consciência de que as crianças supostamente desobedientes são punidas com crueldade: ganham de presente de Natal o desprezo do bom velhinho, não é isso? Estou cansada de ameaças.
Liberte-se também, Papai Noel. Esquece essa obrigação. Desmancha essa ruga feia da vingança. Se livra desse fardo a carregar nas costas por toda a eternidade. Você vai se sentir muito melhor. Pode acreditar em mim.
Com afeto,
Marcya
16 de janeiro de 2007
SITCOM
Título: Probóscida
Sinopse: Mulher de 36 anos, que vive só com um gato fêmea e trabalha num segundo subsolo sem janelas, compartilha suas lamúrias com o mundo escrevendo um blog.
Personagens fixos: a Marcya, o Gato, o Espelho, a Outra, o Monstro da Lagoa Negra, a Mulher Invisível, o Laptop, o Telefone, a Tevê, O Sapo.
Personagens extras: a Maíra, a Fabiana, a Ana Laura, o Tião e o Anônimo.
Episódio 1: Um Dia Surpreendente
Escaleta:
01- Marcya acorda, às seis da manhã, com uma lambida de lixa na cara.
02- Marcya se senta, de chinelos e pijamas, diante da Tevê desligada.
03- Marcya coloca o Laptop no colo e o liga.
04- O Gato digita algumas palavras em sua língua.
05- Enquanto o Laptop tenta ressuscitar, Marcya, apesar de atéia, reza para chover e não precisar ir caminhar no parque.
06- Marcya checa o Telefone mudo a cada cinco minutos.
07- Marcya ensaia a dança da chuva.
08- O Monstro da Lagoa Negra manda um abraço apertado pelo Orkut.
09- Ironicamente, a Mulher Invisível aparece.
10- Marcya consulta a previsão do tempo para hoje.
11- A Outra prepara salmão com alcaparras para um.
12- O afghan hound da Outra troca uma idéia veemente com o Gato.
13- Não vai chover hoje, diz o meteorologista na internet.
14- Marcya coloca roupa de fazer exercícios e vai conversar com seu personal stylist, o Espelho.
15- O Espelho dá uma gargalhada histérica, Marcya engole o Sapo e vai para o parque caminhar.
16- Chove.
FIM
Comentário de Maíra: Choveu? Pois a vida é feita de intempéries mesmo. Pegue um guarda-chuva, dance muuuuito nessa água toda e transforme essa enchente num musical badalado! Beijossssss!
Comentário de Fabiana: Concordo. Esse seu Espelho é um histérico! E diz pro Monstro da Lagoa Negra que eu também mando um abraço... Adoro verde.
Comentário de Ana Laura: Marcynha, você não precisa mesmo de exercícios. Precisa de terapia!
Comentário de Tião: ó, marcya, desengole esse Sapo de uma vez que um engasgo desses a gente não cura só com tapinha nas costas não, viu?
Comentário de Anônimo: Teria o telefone dessa Outra aí, hein?
Sinopse: Mulher de 36 anos, que vive só com um gato fêmea e trabalha num segundo subsolo sem janelas, compartilha suas lamúrias com o mundo escrevendo um blog.
Personagens fixos: a Marcya, o Gato, o Espelho, a Outra, o Monstro da Lagoa Negra, a Mulher Invisível, o Laptop, o Telefone, a Tevê, O Sapo.
Personagens extras: a Maíra, a Fabiana, a Ana Laura, o Tião e o Anônimo.
Episódio 1: Um Dia Surpreendente
Escaleta:
01- Marcya acorda, às seis da manhã, com uma lambida de lixa na cara.
02- Marcya se senta, de chinelos e pijamas, diante da Tevê desligada.
03- Marcya coloca o Laptop no colo e o liga.
04- O Gato digita algumas palavras em sua língua.
05- Enquanto o Laptop tenta ressuscitar, Marcya, apesar de atéia, reza para chover e não precisar ir caminhar no parque.
06- Marcya checa o Telefone mudo a cada cinco minutos.
07- Marcya ensaia a dança da chuva.
08- O Monstro da Lagoa Negra manda um abraço apertado pelo Orkut.
09- Ironicamente, a Mulher Invisível aparece.
10- Marcya consulta a previsão do tempo para hoje.
11- A Outra prepara salmão com alcaparras para um.
12- O afghan hound da Outra troca uma idéia veemente com o Gato.
13- Não vai chover hoje, diz o meteorologista na internet.
14- Marcya coloca roupa de fazer exercícios e vai conversar com seu personal stylist, o Espelho.
15- O Espelho dá uma gargalhada histérica, Marcya engole o Sapo e vai para o parque caminhar.
16- Chove.
FIM
Comentário de Maíra: Choveu? Pois a vida é feita de intempéries mesmo. Pegue um guarda-chuva, dance muuuuito nessa água toda e transforme essa enchente num musical badalado! Beijossssss!
Comentário de Fabiana: Concordo. Esse seu Espelho é um histérico! E diz pro Monstro da Lagoa Negra que eu também mando um abraço... Adoro verde.
Comentário de Ana Laura: Marcynha, você não precisa mesmo de exercícios. Precisa de terapia!
Comentário de Tião: ó, marcya, desengole esse Sapo de uma vez que um engasgo desses a gente não cura só com tapinha nas costas não, viu?
Comentário de Anônimo: Teria o telefone dessa Outra aí, hein?
29 de dezembro de 2006
o morcego

(Dessa vez, com a empáfia de parodiar Augusto dos Anjos. Desculpo-me de antemão. Mas foi inevitável.)
Quase meia-noite. No quarto de tevê, sono puro.
Meu Deus! E este morcego! Agora, olha isso:
Atravessou de um lado para outro, preciso,
Rodopiou pelo teto e sumiu no corredor escuro.
Não me mordeu a goela nem nada assim sensual
Que fosse vampiro, fantasiei com vontade,
Na bruta ardência orgânica da sede...
(Ando vendo tevê demais; melhor mudar de canal).
Cadê ele? – Digo – Ergo-me animada!
Vou com o gato, de lençol na mão, caçá-lo.
Empurro móveis, o olho arregalo,
Entro nos quartos, procuro, procuro e nada!
Ele não sabe que quero ajudá-lo... Chego
Bem perto. Lindinha bate um papo. Ele se senta,
Faz amizade, ri muito e diz que, de medo, está farto!
"A Consciência Humana é este morcego!
Por mais que a gente faça, à noite, ele entra,
Imperceptivelmente, em nosso quarto!"
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