15 de Julho de 2009






Ando muito editada ultimamente (ou será preguiça de escrever muito?)...

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14 de Julho de 2009

máscaras de nietzsche

“O hipócrita que representa sempre o mesmo papel deixa enfim de ser hipócrita”.

“Há muitas coisas que quero, de uma vez por todas, não saber. A sensatez estabelece limites mesmo ao conhecimento”.

“A maturidade do homem consiste em haver reencontrado a seriedade que tinha nas brincadeiras de quando era criança”.

“Não suporto almas estreitas: não têm nada de bom, tampouco nada de mau”.

"O homem quer a mulher tranqüila – mas a mulher, como o gato, é essencialmente intranqüila, por mais que tenha aprendido a dar-se uma aparência de paz”.

“Quem combate monstruosidades deve cuidar para que não se torne um monstro. E se você olhar longamente para um abismo, o abismo também olha para dentro de você.”

"As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras."

"Para mim o ateísmo não é nem uma conseqüência, nem mesmo um fato novo: existe comigo por instinto."

“A vida mais doce é não pensar em nada”.

Eu adoro Nietzsche e seus aforismos. Adoro certos pontos de vista dele, mesmo com uns arroubos machistinhas (ah, sim, e apesar de ser alemão naquela época... Não, ele não era nazista - verdade seja dita). Talvez porque Nietzsche fizesse aniversário um dia depois de mim - e eu também acho que Kant é um moralista fanático. Gostaria de ter tempo para ler mais, estudá-lo mais, mas esqueço. Afinal, “não poderia haver felicidade, jovialidade, esperança, orgulho, presente, sem o esquecimento”.

13 de Julho de 2009

que dia!

Eu estava simplesmente feliz e tranquila. A noite de domingo tinha me deixado com um gostinho de alegria de viver na boca, que me fazia ver passarinhos cantando e flores se abrindo pra todo lado. Uma coisa! Saí cedo para uma consulta médica que se demorou por uma longa hora na diminuta sala de espera – na companhia de quatro criancinhas correndo e berrando simultaneamente, diga-se – mas nem me importei muito. Tudo lindo e maravilhoso, ainda deu tempo de chegar em casa e trocar de roupa pra ir à aula de yoga sem pressa.

No trânsito, nenhum semáforo fechado. Ninguém me cortou pela direita. Não precisei xingar nem buzinar nem acelerar. Apenas o sol, a avenida livre, o ventinho no rosto, uma música que eu gosto começou a tocar no rádio... “O barquinho vai... A tardinha cai...”

Lá na sala da academia, tudo arrumadinho e cheiroso. Mandei um “namastê” com todo o gosto antes de iniciar a minha prática. Nunca me senti tão flexível e troquei a alcunha de Mulher Invisível pela de Mulher Elástico – ou Elástica? Coloquei delicadamente as palmas das mãos no chão sem dobrar os joelhos e minha felicidade incontida aflorou num sorrisinho de plena satisfação comigo mesma e com o mundo ao meu redor. Ásanas terminados, vamos deitar, fechar os olhinhos e meditar.

O mantra entrava pelos ouvidos apenas para reforçar a paz que eu já desfrutava. Que calma, que relaxamento, que plenitude, que ronco... É. Ronco.

Alguém dormiu durante a meditação. Por mim tudo bem, durma e sonhe, desde que não ronque tão alto... Um ronco dos mais horrorosos, similar a um porcão chafurdando na lama, rotundo, infalível, ritmado. No breve espaço de tempo em que brotou, eu já não conseguia pensar em mais nada. Aliás, duvido muito que qualquer criatura dotada de audição num raio de um quilômetro tenha escapado ilesa ao ronco-motosserra da aparentemente inofensiva tiazinha, escarrapachada de braços abertos no piso da sala.

Olhei discretamente para o lado e pensei que ela fosse morrer – eu podia até dar uma ajudazinha – arfando a barriga pra cima e pra baixo num terremoto interno que batia 12 na escala Richter (segundo a Wikipédia, magnitude capaz de “dividir a Terra ao meio”). Meditei profundamente sobre a hipótese de sufocá-la com o tapetinho. Mas logo vi que não seria suficiente. Alguém acorde essa criatura, por misericórdia!

A professora percebeu que a turma estava em sofrimento. E resolveu terminar logo com aquilo, antes que chamassem o pessoal dos Direitos Humanos. “Vamos levantar agora”... Acho que teve que cutucar a tia, que enfim acordou, inocente, limpando a babinha.

Voltei pra casa vociferando. Que dia! Que dia!

8 de Julho de 2009

de trombas

Hoje a tromba de elefante deu o ar de sua paquidérmica graça, em toda a plenitude do destrambelhamento que lhe é peculiar. A borboleta, quando viu, recolheu a trombinha delicada e fugiu voando, assustada, temendo perder a língua. Foi-se esconder longe das patas portentosas de seu colega de probóscida, que pisoteava o chão seco criando terremotos e levantando furacões de terra vermelha, num muxoxo típico de gigante fazendo birra.

Elefantes se avizinham da desfaçatez ao ensaiar irritação. Botam um bico como nenhum outro. É por isso que, nessas horas, as borboletas desaparecem – se não miméticas em meio às flores amigas, simplesmente viradas de lado, para que se possa ver apenas seu fio de perfil – nada mais discreto que lepidópteros de perfil.

O elefante morre de inveja. Queria ser reservado e alegre como a borboleta. Mas não conseguiu ainda.

3 de Julho de 2009

galinhas d'angola

Estava passando de carro pela avenida L2-Norte, na altura do Parque Olhos D’Água. Eu distante, lá longe dentro da minha cabeça, flutuando em compromissos, esquecimentos, procrastinadas, desfeitas, firulas e pendências em geral.

Foi quando duas galinhas d'Angola correram na minha frente, aparentemente, na tentativa de atravessar para o outro lado. Foi uma fração de segundo em que fui teletransportada para os meus quinze anos, jogando um velho game do Atari. Aquelas duas galinhas pretas vestidas de pois brancos, piscando seus olhinhos úmidos, com aquele pingente redondinho por cima do bico, impassíveis na dúvida que só a cabeça de uma galinha pode ter: se atravessavam a pista de uma vez ou ficavam ali, paradas na estrada, à espera da morte.

Desviando rapidamente, mas com todo o cuidado, também fiquei na dúvida - se abandonaria as pobrezinhas à própria sorte ou... Se faria uma boa galinhada no domingo. Olhei pelo retrovisor e vi que uma delas deu um passinho reticente - como suas centenas de pois - na direção da calçada. Acho até que olhou pra mim. E, confesso, eu sou um coração mole, que não consegue resistir ao apelo de um olhar tristonho. Principalmente vindo de uma galinha d’Angola.

Liguei para os bombeiros, a Zoonoses, o Ibama, a Polícia Florestal, até descobrir que nenhum órgão podia se responsabilizar por elas. "São animais domésticos, não temos como ir salvá-las." Então quem é que vai salvá-las? O único órgão que se responsabilizaria alegremente pelas duas seria o estômago de um pessoal que tá morando debaixo de uma árvore do outro lado da rua.

Uma preocupação a mais para a minha consciência abarrotada de princípios: responsabilizar-me pelas galinhas d’Angola abandonadas no asfalto (acho que Nelson Rodrigues deu um suspiro no túmulo por minha causa). Senti vontade de voltar lá e fazer o sacrifício de me tornar responsável, mudar a história dos bichinhos indefesos, protegê-los dos motoristas alucinados que rodam em alta velocidade por ali. Mas passou. Sei que a culpa vai de respingo a dilúvio quanto mais envolvimento houver. Eu já fiz a minha parte. E logo vou esquecer.

Sei que poderia ter parado o carro, dado uma espantadinha para as duas correrem pra dentro do parque. Mas vai que elas fogem para o lado oposto e são atropeladas. Vai que alguém bate no meu carro. Vai que eu sou atropelada!

Não se pode confiar em galinhas d’Angola. Esses bichos são um perigo!

1 de Julho de 2009

obituário

Sempre me colocam para redigir uns obituários ilustres aqui na TV, o popular "gavetão". Hoje mesmo morreu o deputado Dr. Pinotti e lá estava a matéria correspondente, refestelada na minha pauta. Foi a Maíra que me lembrou: não é o primeiro defunto da política do qual tenho exaltado as qualidades na televisão. Há alguns anos eles aparecem para mim - felizmente - digitalizados, em forma de fita.

Pensando bem, até que elaborar obituários tem o seu charme, como disse Maíra, novamente. Apostei que Machado de Assis escreveu alguns, antes de ficar famoso. Vendo sob esse aspecto, há de se reconhecer que a homenagem precisa de olho bom e medida certeira. Bonita e digna, com classe, sem apelar. Que derramem uma lágrima discreta de profundo sentimento e nada mais.

Mas essa fronteira muito tênue entre o piegas e o honroso não cabe na avaliação de qualquer um. Por isso devo me sentir até contemplada com a designação de arauto das más notícias. Não que eu queira assumir esse papel de ave de rapina. Além disso, as ações boas dos que se foram estão cada vez mais escassas por aqui. E o trabalho assim... Vai ficando difícil.

25 de Junho de 2009

never can say goodbye















Never can say goodbye
No no no no, I
Never can say goodbye

Even though the pain and heartache
Seems to follow me wherever I go
Though I try and try to hide my feelings
They always seem to show
Then you try to say you're leaving me
And I always have to say no...

Tell me why
Is it so

That I
Never can say goodbye
No no no no, I
Never can say goodbye

Everytime I think I've had enough
I start heading for the door
There's a very strange vibration
piercin me right to the core
It says turn around you fool
You know you love her more and more

Tell me why
(tell me why)
Is it so
(is it so)
Don't wanna let you go!

I can never can say goodbye girl
(never can say goodbye girl)
ou ou baby
(don't wanna let you go girl)
I never can say goodbye
no no no no no no no no no no no

oh! oh!
I never can say goodbye girl
(never can say goodbye girl)
ohhhh ohhhh
never can say goodbye
no no no no no no no no no no no

Never can say goodbye
No no no no, I
Never can say goodbye

I keep thinkin that our problems
Soon are all gonna work out
But there's that same unhappy feeling and there's that anguish,
there's that
doubt
It's the same old did ya hang up
You carry with you all the time?

Tell me why
Is it so
Don't wanna let you go

24 de Junho de 2009

só joão

Só João,
Só João!
Acende a fogueira
Do meu coração...

23 de Junho de 2009

alice, de tim burton

As primeiras imagens do novo filme de Tim Burton, "Alice no País das Maravilhas". Como de praxe, direção de arte E S P E T A C U L A R...





























18 de Junho de 2009

Olho de Gato Filmes

video

Já tem até vinheta (animaçãozinha que me diverti fazendo no Adobe Première) com trilha sonora original super-chique (presenteada pelo amigo Alberto Valério)! Só falta colocar nas telas com meus roteiros - um dia - desengavetados...

16 de Junho de 2009

preconceituosas IV

Eu tenho 1,85m.
Os baixinhos excluem: "Sai de perto de mim!"
Os vendedores explicam: "Não existe calça feminina mais comprida que essa."
As depiladoras sofrem: "Eu devia cobrar o dobro de você."

preconceituosas III

Eu separo o lixo seco do orgânico.
A faxineira dispara: "Só pra me dar mais trabalho!"
O lixeiro comenta: "Ainda tem gente que faz isso?"
O governo gargalha: "Alguém acha que a gente recicla!"

preconceituosas II

Eu sou vegetariana.
Os carnívoros riem: "Não sabe o que é bom!"
Os chefs franceses lamentam: "Mon boeuf..."
A família renega: "Não convido mais para o almoço."

preconceituosas I

Eu sou ateísta praticante.
Os católicos pensam: "Perdoai, Senhor, ela não sabe o que faz".
Os kardecistas replicam: "Você terá que voltar pra resolver isso."
Os evangélicos bradam: "Como não acredita em Jesus?!"

12 de Junho de 2009

ele

De manhã já, eu acho,
(Pois sentia um calor...)
Comecei a sonhar uma música assim:

"Ela
Eu vivo o tempo todo com ela
Ela
Eu vivo o tempo todo pra ela
Minha música
Musa única, mulher
Mãe dos meus filhos, ilhas de amor
Cada ilha, um farol
No mar da procela, ela
Ela
Ela que me faz um navegador
Sobretudo ela
Ela que me faz um navegador"

Mas - logo, logo - acordei,
Pisquei os olhos com toda a força
E vi de verdade:

Não é sonho não!