27 de julho de 2006

sobre cinzas










Depois das cinzas, algo se recompôs. Não era mais o que tinha sido e não parecia muito melhor, assim, de olhar rápido... Disse que vinha nova, nova, feita outra vez, com frescor mocinho, mas lá no fundo do olho, lá onde a gente procura o brilho de dentro, ficava com aquele cheiro de coisa velha, gosto de ontem, chafurdando bolor nos cantinhos da alma.

Ai, que nessas horas tem sempre um pra dizer que o passado tem que ficar lá atrás. Fala mesmo, meu amor, que um dia você também topa de encontrão com o seu. Bem na sua frente.

Pois assim, se procurando e encontrando nesses barrancos, meus destroços teimaram em juntar-se. Não foi de uma vez não. Nem nunca será. Mas se levantaram, unidos aos pontinhos mal cosidos de eterna principiante na vida. Fênix das mais raras (como todas elas, aliás), ainda tenta enxergar as próprias pernas, sem perceber que já a sustentam de pé.

3 comentários:

FilmStar disse...

escrever é sum santo remédio, menina! pra tudo!
":)

bem-vinda de volta ao mundo dos blogs!!

Lincoln disse...

Nenhum fogo queima eternamente... e as cinzas são o melhor fertilizante de que se tem notícia.

Anônimo disse...

sem palavras...

Ana Laura