5 de agosto de 2006

mergulho em apnéia













Eu mergulhei de cabeça, cheia de caraminholas maduras. Sempre soube nadar, mas naquele momento exato... Esqueci. Deu um branco total de flutuações, cachorrinho, bóia, bote inflável, borboleta, natação em geral. E assim fui afundando.

Olhei para os lados ao descer. Era só aquele silêncio de tímpanos estourados e cabelos mesclados com o movimento. Vi umas bolhinhas poucas, tão indolentes que, pensei eu, “vão afundar também”.

De repente, o imprevisto: Jacques Mayol aparece na minha frente! E, é claro, me ultrapassa rápido, sumindo no meio da imensidão azul. Na seqüência passa um golfinho bobo, fazendo bico de desdém.

Uma pequena sereia tricota, velhinha, ainda linda, porém muda como um peixe. Queria ter virado borbulhas, se misturando às ondas do mar, mas os estúdios Disney não deixaram. Seu príncipe nasceu, cresceu e morreu. E ela continua ali, pelos milhares de anos, se ressentindo da falta que Andersen faz.

Atlântida não era uma companhia cinematográfica fadada a afundar! Vi seus peixes com cara de gente, sua cidade avançada, Bob Esponja e Ulysses Guimarães jogando canastra com uma ostra recôndita. Titanic submergiu para ser a bela casa de tantos peixinhos...

Foi quando cocei as orelhas molhadas que me lembrei: “cadê minhas brânquias?” Nem baleia era – ou estava -, apesar de colega mamífera, mesmo com uns pouquíssimos quilinhos fora de lugar. Muito menos anfíbia, pingüim, foca ou cavalo-marinho.

Oh, mares! Jacques Mayol está voltando... Tenho que me agarrar ao desejo de Jacques Mayol de respirar.

E sendo assim, no poço sem fundo da minha quimera, permaneci. E ainda hoje vivo na esperança de encontrar o golfinho desdenhoso, que um dia, creio, terá que emergir para tomar ar.

Um comentário:

fabiana disse...

Acorde Sereia-Seca! Olhe ao redor divirta-se com o mundo que você inventa a cada instante!

Linda, o seu canto já encanta!

E de ver tanta beleza, olha só o que no que deu!

http://www.popfabi.blogspot.com/

beijo