8 de agosto de 2006

frutas ácidas

O ácido da minha boca não vai sair. Corrói, mas, estranhamente, transige o doce, que vive por ele, lado a lado, sem, no entanto, poder se misturar. E o doce que por ele é, sofre de amores pelo ácido. Que química é essa que falta, que ligação covalente, que doses de prótons e elétrons, que não chega para uni-los nunca?

Pensei primeiro que esse amor fosse fruto do abacaxi muito maduro, que cortei e me cortou. Quase verteu sangue essa dor! Depois tive a dúvida do limão, a suspeita da laranja, um tomate que levei na cara! O amargo se meteu para reivindicar seu lugar no doce coração. Mas não há fruta que resolva esse impasse, dos gostos que se complementam sem se misturar. Não tem salada nem explicação.

E quisera o doce ser tão sulfúrico, queimar mesmo, para deixar marcas visíveis e indeléveis. E quisera o ácido viver mais açucarado, se entregar sem medo ao néctar, melar ao toque gostoso de todo dia...

Mas histórias de amor são assim: tanto mais bonitas quanto mais impossíveis, tanto mais prováveis quanto mais imiscíveis, que se dessa forma não fossem, não teriam elas sabor.

2 comentários:

fabiana disse...

Ai, as histórias de amor! Nunca tão elásticas quanto o próprio amor - acabam sempre cedo demais ou tarde demais!
Mas, importante acima de tudo é tê-las! Se mais de uma, abrir uma coleção!!

Beijos, Trombinha!

Anônimo disse...

FAZ TEMPO QUE NAO LEIO ALGO TAO CRIATIVO E ENVOLVENTE, OBRIGADO PELAS PALAVRAS BEM COLOCADAS...