8 de novembro de 2006

fábula











Meu amor é inútil
Pois o tenho aqui sem uso.
É uma sensação que a cigarra velha
Encasulada anos e anos debaixo da terra
Deve ter tido, meditando,
Tanto tempo à espera só
Na sofreguidão do ar...
A cantorinha sonha com o dia em que
Numa manhã madura
Irá se desencavar
Depois de muito sacrifício
E chamar por seu amor
(Ela chama por seu amor!)

Que nem sempre vem.
Algumas conseguem que ele tenha
Ouvidos de escutá-las
E morrem felizes na esperança das pupas
Que vão levá-las a uma nova história
Por mais tempos e tempos.
As outras continuam cantando bolerões
E lacrimejando
Todas as primaveras
Nas esquinas dos jardins deflorados
Até sumirem nas artes das crianças
Na pressa dos carros nas ruas
Ou nas garras de um gato brincalhão.

5 comentários:

fabiana disse...

ai, nem me fala...eu acho que eu nem tenho mais amor aqui dentro...

Marcya disse...

Ai, cigarrinha... Quem sabe o gato brincalhão, em vez de sumir com a gente, não nos arrebata de paixão qualquer dia?

Anônimo disse...

eta...
repare
e
t
a

Maria disse...

Chorei lendo seu texto...

Anônimo disse...

Liiindo, Marcynha...
Ana Laura