10 de janeiro de 2009

se meu apartamento falasse

O piso está ficando cheio de riscos. Eu ando de salto, pra lá e pra cá, apesar de ser tão alta descalça. Para ganhar impulso, os gatos cravam as unhas no chão na brincadeira de correr. Tenho mania de trocar os móveis de lugar. Arrasto tudo sozinha. Depois olho pra baixo e vejo os rastros de minha obra. Porcaria de laminado. Espero que o proprietário do apartamento não se lembre muito bem como ele era antes. Corro riscos.

Tenho um verdadeiro ódio daquele lustre da sala. Ódio mesmo. Me recosto na minha maravilhosa poltrona vermelha de design (que eu amo) e fico observando aquilo ali. Aquele encosto de lustre. Um verdadeiro encosto. Quando penso em algo muito ruim lembro do lustre, imediatamente. Tipo Laranja Mecânica. Que espécie de pessoa coloca uma aberração dessas no meio da sala?

E tem a porta. É uma porta, essa porta. Coisa de gente, no mínimo, sem gosto. Com umas treliças falsas esculpidas na madeira (deve ser laminado também). Eu quero bater naquela porta, bater, bater, bater com força. Acho até que alguém já tentou isso antes, porque ela está meio torta pra um lado. Fica uma frestinha em cima. E para completar, a maçaneta é travada do lado de fora. Se é a porta que bate, adeus.

O quarto de televisão seria a suíte. Digo seria porque tem tantos armários, tantos, armários ensandecidos e genuinamente horrorosos, armários até no teto, até em cima da porta, até na janela... Que a minha cama não cabe lá. E nem eu queria dormir num lugar tão claustrofóbico, que parece que à noite, o monstro do armário de puxadores dourados vai me engolir.

As persianas verticais são velhas e não tapam claridade nenhuma. Tenho medo dos cordões arrebentarem quando puxo e chego a desistir de abri-las. Também, que diferença faz? Os suportes das correntinhas que unem uma persiana à outra são de plástico e depois de uns meses de sol direto começam a desmanchar na mão, feito biscoitinho de polvilho caseiro. Difícil de engolir. O passatempo favorito dos gatos é morder e puxar essas correntinhas, até arrancar tudo. Já perdi as contas de quantas "unidades de suporte plástico" comprei e instalei.

Detesto o rodateto. Fritei os miolos num árduo exercício de raciocínio lógico, para concluir que eram de isopor e não de gesso, como os convencionais. É que, bem em cima das portas de vidro, um pedaço dele ficou pendurado. Se fosse de gesso teria caído direto. Era algo surreal aquele rodateto com aspecto de gesso pendurado daquele jeito. Um desafio às leis da gravidade. Pensei em tanta coisa... Será que é de papel? Papelão. Ahnnn... Plástico. Ou, se tiver sorte, é apenas uma miragem, uma alucinação. Vai sumir quando eu abrir os olhos de novo. Putz. Continua ali.

Mas vamos falar de coisas que eu gosto no apartamento, além dos meus próprios móveis e objetos.

...

A vista do Lago Paranoá, lá fora.

4 comentários:

Maíra Brito disse...

hora de mudar de casa, baby.
meu contrato já se foi. o preço novo é digno, mas acho q tb cansei do meu banheiro marrom e dos meus armários pequenos demais.

e como anda a mulher gato?
foi ver Crepúsculo?
bjosss

Fabi disse...

é. hora de mudar - que tal o SEU? que você escolha o piso, os armários, as portas - vou dizer, depois que todo o inferno acaba, é incrível a sensação de TUDO aquilo ser só seu - e olha que o meu é um "meuzinho", mini, caixinha de fósforo de apê!
beijos

leo disse...

Faz uma foto para vermos. Acho que vai ficar bonito... Leo Amaral (do Flickr)

"Tenho um verdadeiro ódio daquele lustre da sala. Ódio mesmo. Me recosto na minha maravilhosa poltrona vermelha de design (que eu amo) e fico observando aquilo ali. Aquele encosto de lustre. Um verdadeiro encosto. Quando penso em algo muito ruim lembro do lustre, imediatamente. Tipo Laranja Mecânica. Que espécie de pessoa coloca uma aberração dessas no meio da sala?"

Marcya disse...

Oi, Leo! Quanto tempo, hein?
Olha, não sei se vou tirar foto não... Acho que vocês não iam gostar de ver...