9 de agosto de 2007

morte e vida

A girafinha estava pendurada. A cabecinha pendia com a língua de fora, roxa, as patas dianteiras balançavam pra lá e pra cá, querendo sair. Ela era maravilhosa! Até então, eu acreditava mesmo que estava tudo bem. E eu queria ver o tombo da vida, lá do alto das patas, aquele bichinho grande cambaleando no capim seco, molhado de líquidos do ventre da mãe. Queria o nascimento, a luz, a respiração, o calor. Mas a minha fé torta não foi suficiente – nunca é. Um vermelho terrível começou a brotar da boca e me fez chorar de novo. Não podia aceitar, num lindo dia de sol! Girafas não podem perder dias transbordantes de sol, como aqueles das savanas de África, que elas nunca mais vão ver (mas que eu vi). Não vai não, girafinha, a gente nem brincou ainda! Ela não respondeu. Apenas piscou os cílios enormes e sorriu. Ela sabe o que vou fazer. Ela sabe!

2 comentários:

fabiana disse...

atropelo, girafa-anjo, reorganização na "firma" - no mínimo, tudo vai piorar...você comigo meu inferno astral, mulher de Deus?
beijos

Marcya disse...

É, Fabis... Acho que o meu inferno astral começou agora mesmo, solidariamente, junto com o seu... E pelo jeito, vai até o dia 13 de outubro! :o(