27 de junho de 2008

um outro rato

Um rato me persegue por todos os cantos
Enorme, cinzento, ameaçador.

Um rato tal qual uma sombra
Que se reveste de fraternal cumplicidade
Todas as noites quando, ao deitar,
As luzes que me atravessam
Revelam esse monstro em mim.

De repugnância velada
De dores gordurosas
De podridão invisível
Que ameaçam, insistentemente, a minha vida.

Um rato traiçoeiro
Que, aonde quer que eu vá,
Espreita um descuido de existência
Para devorar, regozijado, o amanhã.

Rato que me conforta e alimenta
Espectro vivo ao meu lado
Leve a verdade daqui.

2 comentários:

César Miranda disse...

Dizem que elefantes têm medo de ratos. É que não sabem a força que têm.

Marcya disse...

Os elefantes têm medo de ratos porque não conseguem mirá-los nos olhos.